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A Urgência do Verso


O mundo corre em linhas retas e frias, 
Entre números, pressas e o peso do dever. 
Mas a alma se perde em tais geografias, 
Se não houver um canto para a sustentar no ser.

Poetisar é a sede de quem quer ver além, 
De quem não aceita que o mar seja apenas sal. 
É encontrar o "para sempre" no que agora convém, 
E o rastro do sagrado no gesto mais banal.

É necessário o poema para traduzir o pranto, 
Para que a dor não vire pedra no fundo do peito. 
É preciso a palavra, seu mistério e seu manto, 
Para dar ao indizível um lugar de direito.

Sem a poesia, a vida é apenas um fato, 
Um relógio batendo em um quarto vazio. 
Mas ao poetisar, o espírito assina o contrato: 
De ver cor no asfalto e calor no que é frio.

Não é enfeite, é lente; não é fuga, é encontro. 
É o modo mais terno de a realidade encarar. 
Pois quando o silêncio nos deixa no ponto, 
Só a poesia nos ensina a respirar.

Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador / dezembro, 29

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