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Mostrando postagens com o rótulo Poesia e Companhia

SENHORITAS DA RUA DA GUIA

Foto: Reprodução/Internet 1968, domingo, meio dia. Rua da Guia que agonia. "Senhoritas" de vida fácil desfilando, exibindo em demasia, toda primazia dos seus dotes mundanos, profanos e profundos. Jacytan Melo, setembro, 2005

NAS ESQUINAS

Imagem: Reprodução/Internet Passa carros passa gente passa disco passa trote passatempo passarinho passa bicho passa a grana passarela passamento passa a vida Jacytan Melo,  Recife, outubro/2009

PRAÇAS DO RECIFE

Imagem: Reprodução/Internet Praça Maciel Pinheiro ponto de encontro de  fumantes, bebados, desordeiros, desocupados, trambiqueiros, vagabundos, religiosos e amantes. Poderia ser também Praça Sérgio Loreto, Arsenal da Marinha, 17 de Agosto,  Chora Menino... Tem sido assim ao longo desses anos esses mesmos personagens misturam-se entre bancos, jardins, fontes e luminárias fazendo parte da história desse meu amado Recife. Jacytan Melo, poeta, músico e produtor

SONHADOR

Sou apenas um cidadão pobre, negro, desnutrido, nordestino e sem dinheiro no banco sendo obrigado a dizer "sim senhor" a pequenos e seletos grupos como forma de sobrevivência. Eu sou apenas um sonhador que acredita em uma convivência (vivência)  mais humana com o semelhante, sem precisar pedir-lhe identidade, passaporte, comprovante de residência (indigência) atestado de antecedentes criminais Recife, novembro 2009 Jacytan Melo poeta, músico e produto facebook.com/jacytanmelopoeta twitter.com/jacytan

ESPELHOS

Evito espelhos toda vez que me vejo diante deles, demoro pouco, evito vê-los. Medo de que? não sei!!! Apenas, evito vê-los. Jacytan Melo, Recife, 6/dezembro/2009

SER, TER, PODER

Queria ser: pastor presidente benevolente indigente indiferente. Queria ter: emprego de gente casa decente filhos inteligentes um carro reluzente. Queria poder: Olhar de frente ficar bem longe de gente me livrar de parentes deixar a morte mais pra frente. Jacytan Melo, Recife, novembro/2009 facebook.com/jacytanmelopoeta twitter.com/jacytan

SÁBADO NO SHOPPING

Imagem: Reprodução/Internet Sábado no Shopping escadas rolantes, gente que sobe, que desce num frenesi eletrizante. Uns passeiam, outros pensam só alguns compram, tal qual um desfile fascinante. Corpos, vestes, semblantes, deslizantes, esfuziantes, descendo e subindo as escadas rolantes. Em um canto quase esquecido (desapercebido) um ser dedilha o teclado, uma melodia clichê de uma velha canção de amor (ou será desamor?) Guardas caminham silenciosos, vigilantes, atentos aos beijos e carícias de amantes do mesmo sexo. Pizzas, sorvetes, almoço, sobremesas completa o quadro daquela tarde de sábado em um shopping qualquer da cidade. Jacytan Melo, Recife, novembro/2009 facebook.com/jacytanmelopoeta twitter.com

DAS RUAS DO RECIFE ANTIGO

Imagem: Reprodução/Internet Faz tempo que não sinto o cheiro do vento das ruas do Recife Antigo. Não esse do presente, é o cheiro do passado, da infância-adolescência, trafegada pelas vias urbanas d'aquele Recife de antigamente. Rua da Guia, Moeda, Apolo,  Arsenal da Marinha. Bom Jesus, Vigário Tenório e tantas outras que compõe o cenário histórico do meu Recife Antigo. Jacytan Melo, Recife, dezembro/2009

TIRANIA

Imagem: Reprodução/Internet Todo tirano tem em seu caminho uma bala perdida (bem vinda) que lhe tira a vida derruba do poder. Jacytan Melo, setembro, 2007

CHEIRAR COLA

Imagem: Reprodução/Internet O menino cheirando cola, sentado na calçada quente, sol a pino do meio-dia, indiferente aos noticiários dos jornais expostos na banda de revista. De físico franzino aparentando pouco mais  de doze anos, sua concentração naquele ato (de fato) era de uma morbidez total. Olhos sem vida, barriga vazia, alimentada apenas pela química do concentrado da cola. Passa segundos,  minutos, horas, nada fazia mudar sua posição,  nada desviava sua atenção, da sua louca viagem alucinante (angustiante). Jacytan Melo, maio de 2012

MALTRATO DO RECIFE

Foto: Zé Afonso Stock Estão querendo acabar contigo [meu Recife Não te respeitam como antes (apesar de idade avançada) te vejo suja, mal cheirosa, em todo canto que passo te vejo nua, com uma avenida disforme rasgando teu ventre. Prédios sujos, mal acabados, abandonados, assombroso, assombrados, completam o auto-retrato de tua feiúra. Mudaste muito, não é mais aquela cidade  chamada bela Recife cantada em versos e prosas, até os cinemas não existem mais. Andas inchada, abarrotada de tantos carros poluída, esquecida, mal vestida. Tenho pena de ti [meu Recife tenho pena de ti. Jacytan Melo Recife, 8/dezembro/2009

MEU SILÊNCIO

Imagem: Reprodução/Internet Meu silêncio é minha sobrevivência é minha vivência entre os vivos, entre os mortos, entre as sombras. Nada falo, nada penso, nada sou apenas ouço gritos e sussurros, de uma sociedade em decadência. È bom estar em silêncio ouvindo os labirintos da mente o pulsar do coração. Meu silêncio é minha inspiração nau sem rumo, sem prumo navegando no mar aberto em uma escuridão sinistra. Meu silêncio incomoda o barulho perturba o caos. Vai de encontro à luz, pálida, fria, enormemente brilhante, refletindo meu semblante no cais do porto deserto. Jacytan Melo, poeta março / 2013

J. M. P.

Imagem: Reprodução/Internet Ontem vi J.M.P., menor de idade. vendendo chiclete, bombons e uma porrada de baboseira. Compra um, tio leva outro, tia, ajuda matar minha fome. Fecha a janela filhinha, não dê trela menina, não tá vendo que isso é bandido. Sinal abriu, pisada forte no acelerador fumaça na cara de quem ficou A tarde vai, a noite vem. J.M.P. não fala com ninguém. Está triste, bolso vazio, barriga roncando, cara amassada das porradas da vida. Alta madrugada, o sono não chega, no peito vingança no coração da criança que deixou de existir. Um dia, talvez, J.M.P. irá encontrar a tal felicidade que ele tanto vê estampada na cara dos outros. Pode ser que sim, pode ser que não. Talvez encontre a morte nos becos, no trânsito ou no esgoto fétido. Jacytan Melo, poeta, agosto/1978