No centro nervoso, onde a cidade ferve
E o sol do Recife não pede licença,
Existe uma praça onde o tempo nos serve
Um banquete de histórias em cada presença.
Não há mármore frio, nem santos de altar,
Mas é templo sagrado, catedral de papel.
Onde o cheiro de livro antigo paira no ar,
Mais doce ao leitor que o mais puro mel.
Nas bancas de ferro, o passado se deita,
Em pilhas que desafiam a gravidade.
Páginas amarelas que a mão aceita,
Trazendo vozes de outra idade.
É terra de garimpo, de olho treinado,
Onde se busca o tesouro na pilha esquecida.
Um clássico perdido, um verso rasgado,
Uma dedicatória de uma paixão já vivida.
Ali dormem Gilberto, João e Manuel,
Misturados a teses e romances baratos.
A poeira que sobe é o pó do próprio céu,
Pousando nos ombros de leitores pacatos.
Entre o barulho dos ônibus e a pressa da gente,
A Praça do Sebo resiste, teimosa e vital.
Guardando a memória, mantendo a mente,
Do Recife que lê, no seu ponto central.
Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador / dezembro, 29, 2025
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