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SER AMADO

Não é a glória que o mundo alardeia, 
Nem o pedestal onde a vaidade pousa. 
Ser amado é a mão que me incendeia, 
No frio da manhã, a mais precisa coisa.

É ter a nudez da alma permitida, 
Onde a falha é vista não como defeito, 
Mas como a aresta que torna a vida Única, 
no avesso do que é perfeito.

Ser amado é quando o espelho se quebra 
E o outro reflete a luz que desconheço. 
É a casa aberta que a ventania dobra, 
Mas cuja fundação não paga preço.

É a pausa do medo, o refúgio silencioso, 
Onde o corpo repousa do seu fardo. 
É a certeza calma e transparente 
De que sou, para alguém, o seu cuidado.

Não é ser compreendido em toda pressa, 
Pois a alma humana é terra de mistério. 
Mas é saber que, na maior incerteza, 
Existe um porto além de todo etéreo.

Ser amado é o peso da leveza 
Que nos devolve ao chão, porém inteiros. 
É a delicadeza que tece a beleza 
No meio do caos, sem ter roteiros.

Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador / dezembro,14, 2025


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