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A Catedral de Papel (Praça do Sebo)

No centro nervoso, onde a cidade ferve  E o sol do Recife não pede licença,  Existe uma praça onde o tempo nos serve  Um banquete de histórias em cada presença. Não há mármore frio, nem santos de altar,  Mas é templo sagrado, catedral de papel.  Onde o cheiro de livro antigo paira no ar,  Mais doce ao leitor que o mais puro mel. Nas bancas de ferro, o passado se deita,  Em pilhas que desafiam a gravidade.  Páginas amarelas que a mão aceita,  Trazendo vozes de outra idade. É terra de garimpo, de olho treinado,  Onde se busca o tesouro na pilha esquecida.  Um clássico perdido, um verso rasgado,  Uma dedicatória de uma paixão já vivida. Ali dormem Gilberto, João e Manuel,  Misturados a teses e romances baratos.  A poeira que sobe é o pó do próprio céu,  Pousando nos ombros de leitores pacatos. Entre o barulho dos ônibus e a pressa da gente,  A Praça do Sebo resiste, teimosa e vital.  Guardando a memória, m...

A Urgência do Verso

O mundo corre em linhas retas e frias,  Entre números, pressas e o peso do dever.  Mas a alma se perde em tais geografias,  Se não houver um canto para a sustentar no ser. Poetisar é a sede de quem quer ver além,  De quem não aceita que o mar seja apenas sal.  É encontrar o "para sempre" no que agora convém,  E o rastro do sagrado no gesto mais banal. É necessário o poema para traduzir o pranto,  Para que a dor não vire pedra no fundo do peito.  É preciso a palavra, seu mistério e seu manto,  Para dar ao indizível um lugar de direito. Sem a poesia, a vida é apenas um fato,  Um relógio batendo em um quarto vazio.  Mas ao poetisar, o espírito assina o contrato:  De ver cor no asfalto e calor no que é frio. Não é enfeite, é lente; não é fuga, é encontro.  É o modo mais terno de a realidade encarar.  Pois quando o silêncio nos deixa no ponto,  Só a poesia nos ensina a respirar. Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador ...

MINHA IMAGEM

  Crédito da imagem: LetsDrawIt No espelho, o verso se revela,  Não um traço, mas a rima da alma,  Onde a luz se instala, se sela,  E a melodia encontra a calma. Minha imagem, um poema sem fim,  Escrito em rugas, sorrisos e olhar,  A história que brota de mim,  Que o tempo não pode apagar. Cada linha, um dia vivido,  Cada sombra, um segredo guardado,  No reflexo, o eu é revivido,  Um capítulo que foi traçado. Não sou só carne, osso, ou luz,  Sou a tinta que o tempo deixou,  A voz que a essência conduz,  A paisagem que a vida bordou. Então, ao olhar, não vejo o plano,  Mas a tela da minha canção,  Um poema humano, tão humano,  Que pulsa no meu coração. Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador / dezembro, 24, 2025   10 MOTIVOS PARA ESTUDAR NO CURSOS 24 HORAS

A Alquimia do Perdão

Perdoar não é apagar o que foi escrito, Nem dar razão ao erro ou ao grito.  Não é fingir que a ferida nunca existiu,  Ou ignorar o frio que a alma sentiu. Perdoar é, sobretudo, desatar o nó,  É deixar de carregar o mundo em pó.  É entender que o rancor é um fogo aceso  Que queima quem o guarda, com todo o seu peso. É uma faxina interna, um novo olhar,  Onde a memória para de nos machucar.  A cicatriz permanece, desenha a história,  Mas a dor perde o trono e a sua vitória. Não é esquecer, pois o rastro ensina,  É transformar o veneno em medicina.  É abrir a gaiola onde o ontem morava  E libertar o cativo que em nós gritava. No fim da estrada, o perdão é o abraço  Que damos na vida, retomando o passo.  É o direito sagrado de seguir em frente,  Limpando o futuro da sombra do ausente. Uma Breve Reflexão O perdão é um processo, raramente um evento único. Ele exige paciência com o próprio tempo de cura. Como dizia a escrito...

BANDEIRA DOIS

Imagem: Reprodução/Internet 7:30 da manhã Bandeira Dois. Crimes, acidentes madrugada adentro (sombria e fria) Tudo é notícia, (no outro dia) alimentando o medo da sociedade paranóica e vazia. Jacytan Melo, Recife, 13/04/2012 facebook.com/jacytanmelopoeta twitter.com/jacytan

REPULSA

Imagem: Reprodução/Internet Ontem te vi na rua meio dia, sol a pino. evitei aproximar-me com medo de pisar  na tua sombra e me envolver novamente. Jacytan Melo, novembro/2009

(IN)DECISÃO

Dois reais na carteira duas decisões a tomar: jogar na milhar ou bebericar uma  cerveja gelada, estupidamente gelada. Optei pela segunda,  adiei o sonho de ficar rico jogando na Loteria Zoológica. Jacytan Melo, novembro/2009