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Mostrando postagens com o rótulo Recife

Pernambuco Meu País

Não é só um pedaço de mapa no Nordeste,  Nem apenas um estado da federação.  É um território que a alma veste,  Uma pátria plantada no coração. É "país" porque tem sua própria realeza,  Do Rei do Baião à Rainha do Maracatu.  Tem uma bandeira que ostenta a beleza  De um arco-íris num céu sempre azul. Meu país tem fronteiras de água e de sal:  A Veneza Brasileira, de pontes e rios,  Onde o Capibaribe encontra o oceano afinal,  E o manguezal guarda segredos sombrios. Tem as ladeiras de Olinda, sentinelas do tempo,  Com bonecos gigantes a nos observar.  Onde o frevo é mais que uma dança, é um vento,  Que faz a sombrinha colorida girar. Mas meu país também é terra crestada,  Do Sertão valente, do sol que castiga.  Onde a palma resiste na terra rachada,  E a força do povo é a maior cantiga. É a terra dos Caboclos de lança na mão,  Do Galo da Madrugada que acorda a cidade.  Da revolução que corre na veia e no ...

A Catedral de Papel (Praça do Sebo)

No centro nervoso, onde a cidade ferve  E o sol do Recife não pede licença,  Existe uma praça onde o tempo nos serve  Um banquete de histórias em cada presença. Não há mármore frio, nem santos de altar,  Mas é templo sagrado, catedral de papel.  Onde o cheiro de livro antigo paira no ar,  Mais doce ao leitor que o mais puro mel. Nas bancas de ferro, o passado se deita,  Em pilhas que desafiam a gravidade.  Páginas amarelas que a mão aceita,  Trazendo vozes de outra idade. É terra de garimpo, de olho treinado,  Onde se busca o tesouro na pilha esquecida.  Um clássico perdido, um verso rasgado,  Uma dedicatória de uma paixão já vivida. Ali dormem Gilberto, João e Manuel,  Misturados a teses e romances baratos.  A poeira que sobe é o pó do próprio céu,  Pousando nos ombros de leitores pacatos. Entre o barulho dos ônibus e a pressa da gente,  A Praça do Sebo resiste, teimosa e vital.  Guardando a memória, m...

(IN)DECISÃO

Dois reais na carteira duas decisões a tomar: jogar na milhar ou bebericar uma  cerveja gelada, estupidamente gelada. Optei pela segunda,  adiei o sonho de ficar rico jogando na Loteria Zoológica. Jacytan Melo, novembro/2009

MALTRATO DO RECIFE

Foto: Zé Afonso Stock Estão querendo acabar contigo [meu Recife Não te respeitam como antes (apesar de idade avançada) te vejo suja, mal cheirosa, em todo canto que passo te vejo nua, com uma avenida disforme rasgando teu ventre. Prédios sujos, mal acabados, abandonados, assombroso, assombrados, completam o auto-retrato de tua feiúra. Mudaste muito, não é mais aquela cidade  chamada bela Recife cantada em versos e prosas, até os cinemas não existem mais. Andas inchada, abarrotada de tantos carros poluída, esquecida, mal vestida. Tenho pena de ti [meu Recife tenho pena de ti. Jacytan Melo Recife, 8/dezembro/2009