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A Catedral de Papel (Praça do Sebo)

No centro nervoso, onde a cidade ferve  E o sol do Recife não pede licença,  Existe uma praça onde o tempo nos serve  Um banquete de histórias em cada presença. Não há mármore frio, nem santos de altar,  Mas é templo sagrado, catedral de papel.  Onde o cheiro de livro antigo paira no ar,  Mais doce ao leitor que o mais puro mel. Nas bancas de ferro, o passado se deita,  Em pilhas que desafiam a gravidade.  Páginas amarelas que a mão aceita,  Trazendo vozes de outra idade. É terra de garimpo, de olho treinado,  Onde se busca o tesouro na pilha esquecida.  Um clássico perdido, um verso rasgado,  Uma dedicatória de uma paixão já vivida. Ali dormem Gilberto, João e Manuel,  Misturados a teses e romances baratos.  A poeira que sobe é o pó do próprio céu,  Pousando nos ombros de leitores pacatos. Entre o barulho dos ônibus e a pressa da gente,  A Praça do Sebo resiste, teimosa e vital.  Guardando a memória, m...