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Sábado no Shopping

    O sábado acorda e a cidade converge,  Para o templo de vidro onde o desejo emerge.  Ar condicionado, um eterno frescor,  Luzes brilhantes que ignoram o sol lá de fora. Escadas rolantes, num balé sem cansaço,  Elevam famílias ocupando cada espaço.  O brilho das vitrines, promessas de cor,  Onde o "ter" se disfarça com todo o seu vigor. Na Praça de Alimentação, o mundo se mistura,  Cheiro de pipoca, hambúrguer e doçura.  Gritos de crianças, risos de adolescentes,  O sábado pulsa entre bandejas e gentes. Grupos de jovens, em desfiles casuais,  Olhares que buscam nos outros os seus iguais.  Casais de mãos dadas, sem pressa no passo,  Buscando no filme o refúgio e o abraço. É o reino das sacolas, do plástico e do cartão,  Onde a rotina descansa da sua obrigação.  Muitos apenas olham, sonhando com o amanhã,  Enquanto o consumo tece sua teia sã. E quando a noite chega e o cansaço domina,  O shopping s...

Fabrício Arteiro: O Poeta Pernambucano

Crédito da foto:  manguetownrevista.com A poesia de Fabrício Arteiro frequentemente aborda as injustiças sociais, a desigualdade e a vida nas periferias por redação (com informações: Mapa Cultural de Pernambuco )   Encontre cursos online de diversas áreas e temas, com certificado e início imediato. Saiba mais > Recife, PE, Brasil - Fabrício Arteiro é um nome conhecido na cena cultural de Pernambuco, especialmente no contexto da Poesia Marginal e da produção literária que dialoga diretamente com as realidades sociais, urbanas e a cultura popular nordestina. A sua "matéria" (o conteúdo, o tema central da sua obra) é profundamente enraizada em alguns pilares:  1. Crítica Social e Urbana A poesia de Fabrício Arteiro frequentemente aborda as injustiças sociais, a desigualdade e a vida nas periferias. Ele usa a sua arte como um veículo para dar voz aos invisíveis e criticar as estruturas de poder. - Temas: Violência urbana, precariedade, exclusão social, resistência cultur...

VIVENDO A QUARTA IDADE

A Quarta Idade chega, sem pedir licença,  Com a pele marcada, memória em cadência.  Não é mais o vigor da terceira jornada,  É a calma da alma, a vida mais pausada. O corpo, já cansado, pede o seu descanso,  As dores discretas, um leve avanço.  O tempo se alonga, cada dia é um dom,  Longe da correria, em doce e lento som. Os netos cresceram, a casa está vazia,  Ficou a saudade, e a sabedoria.  Olhar para trás, o caminho percorrido,  Cada riso e lágrima, em paz compreendido. A vista embaçada, o passo mais miúdo,  Mas o coração guarda um mundo graúdo.  De histórias vividas, lições a ensinar,  Um tesouro de afeto, pronto a compartilhar. Há quem diga "velhice", eu digo "serenidade",  A aceitação plena da nossa fragilidade.  É tempo de tecer a última tapeçaria,  Com fios de lembrança e pura alegria. E quando a névoa fria tentar nos alcançar,  O calor do carinho irá nos aquecer, nos guiar.  Vivendo a Quarta I...

SER AMADO

Não é a glória que o mundo alardeia,  Nem o pedestal onde a vaidade pousa.  Ser amado é a mão que me incendeia,  No frio da manhã, a mais precisa coisa. É ter a nudez da alma permitida,  Onde a falha é vista não como defeito,  Mas como a aresta que torna a vida Única,  no avesso do que é perfeito. Ser amado é quando o espelho se quebra  E o outro reflete a luz que desconheço.  É a casa aberta que a ventania dobra,  Mas cuja fundação não paga preço. É a pausa do medo, o refúgio silencioso,  Onde o corpo repousa do seu fardo.  É a certeza calma e transparente  De que sou, para alguém, o seu cuidado. Não é ser compreendido em toda pressa,  Pois a alma humana é terra de mistério.  Mas é saber que, na maior incerteza,  Existe um porto além de todo etéreo. Ser amado é o peso da leveza  Que nos devolve ao chão, porém inteiros.  É a delicadeza que tece a beleza  No meio do caos, sem ter roteiros. Jacytan M...

Adélia Prado: A Poesia do Cotidiano

  Crédito da foto: 50emais.com.br Adélia Prado, é considerada como a maior poetisa viva do Brasil e voz singular da literatura por redação (com informações: Wikipédia e  eBiografia )  Encontre cursos online de diversas áreas e temas, com certificado e início imediato. Veja a lista de cursos > Recife, PE, Brasil - Adélia Prado é uma das vozes mais singulares, importantes e amadas da poesia brasileira contemporânea. Ela é conhecida por sua escrita que celebra o cotidiano, a fé, a sexualidade e a experiência feminina, misturando o sagrado e o profano com uma naturalidade lírica e profunda. Fluencypass é uma plataforma que oferece aulas, conversação ilimitada, aula particular e intercâmbio em mais de 80 cidades do mundo. Saiba mais > Adélia Prado: A Poesia do Cotidiano Perfil e Estilo - Nascimento: Adélia Freire Prados nasceu em 1935 em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde viveu e produziu toda a sua obra. A influência do interior mineiro é central em sua poesia. -...

MEU NOME É NINGUÉM

Meu nome é ninguém sou brasileiro, estrangeiro em minha própria terra. Nasci (ou apareci) pobre negro e indigente. Cresci entre prostitutas, bati carteira pra sobreviver. Sou sorridente, conto piadas para viver e esquecer da vida sofrida que Deus me deu. Sou engraçado, engraxate de profissão, por três décadas limpei, lustrei sapatos de autoridades,  artistas e magnatas. Meu nome é ninguém mas pode me chamar de João, Fernando, Armando, Luiz, Antonio... que eu atendo. Jacytan Melo, Recife, composto em 19/dezembro/2009. Poema (em memória) dedicado ao engraxate Fernando (Chié), exercendo seu ofício há 30 anos na Praça Maciel Pinheiro, Boa Vista, Recife - PE 10 MOTIVOS PARA ESTUDAR NO CURSOS 24 HORAS

INVENTÁRIO

Faço a contagem fria do que resta,  Antes que a noite feche o meu balanço.  O inventário da alma, a longa festa  Das coisas que perdi, das que alcanço. Bens Imóveis: O peso do meu corpo  Sobre este chão que um dia será meu.  A casa das lembranças, onde o corpo  Ainda guarda a chave do que se perdeu. Bens Móveis: O casaco surrado  Que carrega o cheiro de um adeus antigo.  O livro que me foi fiel aliado,  A cicatriz que carrego comigo. Dívidas: O tempo não gasto, a palavra não dita.  O abraço adiado que hoje não se paga.  A promessa quebrada, a sombra maldita  Que sobre os meus passos, a culpa propaga. Créditos: O riso sincero, o afeto profundo.  O sol que amadurece cada manhã.  O verso que teceu o novo mundo,  A coragem simples, quase irmã. O que vale o total deste espólio incerto?  A soma de tudo é um mistério, um nó.  Pois o maior tesouro não está por perto,  É o instante breve que existe só. ...