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O Anoitecer da Vida


O sol já não queima com a urgência do meio-dia, 
As sombras se alongam, deitando-se no chão. 
O que antes era pressa, agora é melodia, 
Tocada em ritmo lento no fundo do coração.

A pele, esse pergaminho de histórias traçadas, 
Exibe as rugas como sulcos de uma plantação. 
São caminhos de risos, são dores passadas, 
Que o tempo guardou com extrema devoção.

Não há mais o peso da lida que o ombro curvava, 
Nem a sede de mundo que o olhar não vencia. 
A alma descobre o que a juventude ocultava: 
Que a paz vale mais do que qualquer ousadia.

É tempo de ver, na janela do pensamento, 
O rastro de afeto deixado em cada lugar. 
E sentir, no silêncio que traz o vento, 
Que a beleza maior foi a de saber amar.

É tempo de ver, na janela do pensamento, 
O rastro de afeto deixado em cada lugar. 
E sentir, no silêncio que traz o vento, 
Que a beleza maior foi a de saber amar.

    "Envelhecer é como subir uma montanha: quanto mais alto se sobe, mais as forças diminuem, mas o olhar torna-se mais livre, a vista mais ampla e serena." - Ingmar Bergman

Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador / 14, janeiro, 2026

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