O asfalto de Recife tem veias, E o sangue é o Rio Capibaribe. Não é só maracatu, não é só frevo, É a antena do Mangue que vive. Plugada no caos, no caos do concreto, Sentindo a maré que sobe e inibe. A poesia aqui é pedra e é areia, É verso torto que não tem perdão, É a crítica na esquina, na cadeia, É o grito rouco de Chico Science e Lia de Itamaracá em canção. É a Olinda que se esconde e revela, Com a ladeira em cores, sem portão. Não é só o bico de pena e o cordel, É o haicai na parede de cal. É o cheiro de mofo, o cheiro de mel, O trânsito nervoso, o sinal. A gente veste a capa do moderno, Mas o lampião acende o ritual. O poeta de cá não usa luva, Pega a lama, o lixo, a flor do sol. A linguagem é bruta, a vida é curva, Mas a rima encontra o seu anzol. É a arte de sobreviver e de sorrir, Enquanto o tempo gira no carrossel. Somos o eixo, somos a brecha, Onde o ...
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