Vou pedir licença aos mestres
Pra em versos me expressar
Ver o mundo de relance
E o que vejo relatar
A tal "sociedade"
Que insiste em desandar.
Dizem que a modernidade
Trouxe luz e evolução
Mas o que vejo é a alma
Presa na palma da mão
Numa tela que brilha muito
Mas não traz clareza não.
O povo vive apressado
Numa busca sem medida
Ostentando no "status"
O que falta dentro da vida
É o banquete da aparência
Com a essência esquecida.
O vizinho não se olha
O abraço virou "figura"
A verdade é sepultada
Pela rede da impostura
E a empatia, coitada,
Vive em tempos de tortura.
A natureza padece
Gritando em cada lamento
O lucro manda no homem
Mais que o próprio sentimento
O mundo virou negócio
Em constante esgotamento.
Mas nem tudo é desespero
Nesse chão de agonia
Ainda resta a poesia
E o toque da cantoria
Pra acordar o pensamento
E trazer nova alegria.
Pois enquanto houver um justo
Zelando pela semente
A nossa decência volta
Pra curar a nossa gente
E a tal "decadência"
Se faz vida novamente.
Jacytan Melo, poeta, músico e sonhador Março, 11, 2026

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